A produção artística de Manuel La Rosa orbita em torno da ideia de deslocamento, geográfica e alegoricamente. Nascido em Lima, no Peru, e radicado em Santiago, no Chile, o artista investiga sua própria condição migratória e as implicações identitárias e sócio-culturais que ela revela em sua vida pessoal e trabalho.

A instalação que exibe após seus dois meses de residência reúne experimentos produzidos em diferentes suportes e técnicas. Em comum, investigam os signos e códigos que a transferência geográfica de Santiago para o Rio de Janeiro revela. La Rosa debruça-se sobre este desplazamiento, por exemplo, ao induzir a ação da salinização da água do mar em materiais como o látex de luvas de laboratório. Em resultado, manifestam-se transpirações, cristalizações, mutações de toda ordem.

A escolha por trabalhar com determinados materiais é indicativa de sua vivência da cidade, da praia a Zona Norte, atravessando o período do carnaval. A estrutura metálica que corta o espaço sugere um caminho em processo, ongoing, remetendo tanto aos andaimes utilizados para construir edificações efêmeras quanto aos pinos metálicos empregados na fixação óssea em contextos cirúrgicos – ambos vistos pelo artista com frequência em suas caminhadas pelo espaço urbano.

O embate entre estruturas orgânicas e inorgânicas, campo de interesse de Manuel, reforça a atmosfera de experimento científico do conjunto de trabalhos. A união entre a metade de uma batata e a de um inhame – tubérculos típicos de origem andina e brasileira, respectivamente – ganha valor escultórico ao serem enlaçados por barbante ou envoltos pelo látex preto das luvas. A desconsertante junção das partes não só referencia as condições de origem díspares dos vegetais como aponta para a possibilidade da construção de um corpo terceiro: disforme, uno, novo.

RESIDENCIA DESPINA / RIO DE JANEIRO 2019
Texto crítico por Victor Gorgulho
"Comprender el lugar de lo identitario significa advertir la dependencia de los elementos que permiten narrar al sujeto en el tiempo, aglomerar y significar un territorio, así como pertenecer a su tradición y horizonte. Es fraguar la construcción de un mundo, que a modo de taxonomía pueda delimitar, jerarquizar y a su vez, enraizar concepciones en extensión de un cuerpo que se sostiene en la ingobernabilidad y el desborde.

Su condición orgánica y móvil, responde a hibridaciones y reinterpretaciones de lo habitado como construcción de relatos nimios que hilvanan el mito del devenir, bajo la trinchera de la patria, la nación y la bandera en trozos de tierra circunscritos y contrastados sobre sí misma, reclamando autonomía en una América abierta en reflejo de otro lugar."
CONTROL Y RELATO / GALERÍA RADICALES / 2017
Texto curatorial por Luis Montes R.
"Manuel La Rosa es un artista nacido en Lima, Perú, que vive y trabaja en Santiago de Chile. Este antecedente podría incluso no ser nombrado en la presente reseña, dada la integración ya naturalizada de los migrantes a esta sociedad, pero a la luz de su trabajo se hace imprescindible para comprender la forma en que atiende a ciertos problemas que se ven representados en su obra.

En “Control y relato”, el artista ubica en las formas vegetales una analogía al gobierno y expectativa que, de alguna u otra forma, siguen siendo ejercidas sobre los cuerpos, extendiendo los valores de la representación identitaria en vinculación a los crecientes fenómenos asociados a la migración y reterritorialización. De esta forma en la sala se articula un relato de extrañamiento y búsqueda de sentido, de anhelo de origen y pertenencia, voluntad que se sobrepone a toda biopolítica."
CONTROL Y RELATO / GALERÍA RADICALES / 2017
Texto curatorial por Nicole Ahumada
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